What exists? It is that which affects. That which affects can only affect or be affected by other components of existence, and each is proof to the other. There is no unconditional, no beginning, no contingent, no ending. All of those are concepts come from a sense of responsibility only developed in the mind, and we thus ascribe a causal value to events that have their action in fact shared by all elements involved. There is no action, only interaction. To think of an agent as somewhat unaffected by its receptos is to ignore the very existence of that agent.
Life is the utmost expression of existence, for its determination is to keep existing, nothing else. Indication of that is found in the animal humour: satisfaction or frustration are responses to power or lack thereof to affect the world — to exist.
What drives to power — the affirmation of existence — is the will, thrusting the individual into proving his existence through action. There arises the sense of responsibility, there emerges the idea of primacy in which that who affects can remain unaffected. The more one expresses his will and is able to maintain his integrity, the more satisfied he will be.
The purpose in existence is its reaffirmation. A transcendental cause would not suffice, as conditioning the existence of something to the will of something else leaves the purpose of that superior will unexplained and unexplainable.
The forming of symbols, giving rise to culture, work to approximate individuals, always pursuing the efficieny in existing. Symbols cannot take over and alter the need to affect, since all symbolism comes ultimately from will and as such can only aim to continuously prove its existence. To continuously prove its ability to affect.
Pietro Borghi
quarta-feira, 4 de abril de 2012
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Vida sem Cu
Vou contar agora o que há de terrivelmente errado na vida, caminhante. Primeiro, uma explicação sobre a natureza humana. Ainda antes dessa explicação, um esclarecimento sobre a diferença entre objetivo e propósito. Normalmente eu esperaria que todos soubessem qual é a diferença, mas o que há de terrivelmente errado na vida me deixou completamente sem esperanças.
Um objetivo é o resultado pretendido de uma tarefa. Planeja-se e se constrói a cadeira (lamento inserir um exemplo assim tão súbito; acalma-te porém, isto é de fato um exemplo); esta é a tarefa. A cadeira é construída, logo se tem uma cadeira; este é o resultado. Este resultado, advindo do processo de construção da cadeira, dá a ele o nome de objetivo. Mas ainda tu me perguntas, “para que foi construída a cadeira? Onde está o propósito?” Ah, rapaz! No teu cu, evidente. Por tua necessidade em sentar ela foi feita, bípede implume.
Uma observação didática: será muito fácil acompanhar esta linha de pensamento caso a maneira maiêutica de ensinar te seja conhecida. Caso não seja, será ainda mais fácil.
Agora que o conceito de propósito — função do resultado da tarefa — e o conceito de objetivo foram compreendidos, a outra explicação seguirá.
Humanos existem. E essa existência consiste no quê? Em matéria. O que prova a existência da matéria? Sua faculdade de afetar outros pedaços de matéria; seu poder de mudar algo. A natureza humana consiste em dois estados: satisfação e insatisfação. Um animal — um mineral, quem sabe? — se sente satisfeito quando sua vontade concorda com o mundo, e a maneira mais segura de consegui-lo é mudando as coisas.
Ela, a satisfação, advém pois da realização de uma tarefa, contanto que — e aqui começa este texto a ter algum sentido — essa tarefa obtenha algum propósito. A obtenção dele é a prova da existência do homem; o espelho de seu ser tomando forma através de suas mãos.
A existência que levas, ao contrário, é uma de pouca responsabilidade. Basta a ti aceitar as consequências de caminhos pavimentados. Caminhante, não há pegadas! Sonâmbulo, dormiste e seguiste sobre o trilho e os dormentes. Escolhes entre caminhos que conduzem invariavelmente para o mesmo destino. Levas uma vida de trilho, de caminho pronto. Não, não isso! Antes, não levas tua vida; ela te leva, outros te levam! Aquilo para o que trabalhas não te oferece propósito algum; tuas tarefas preenchem as horas e esvaziam os dias.
O que há de terrivelmente errado na tua vida, caminhante, é o que ela se tornou:
Um objetivo sem propósito.
Uma cadeira sem cu.
Um objetivo é o resultado pretendido de uma tarefa. Planeja-se e se constrói a cadeira (lamento inserir um exemplo assim tão súbito; acalma-te porém, isto é de fato um exemplo); esta é a tarefa. A cadeira é construída, logo se tem uma cadeira; este é o resultado. Este resultado, advindo do processo de construção da cadeira, dá a ele o nome de objetivo. Mas ainda tu me perguntas, “para que foi construída a cadeira? Onde está o propósito?” Ah, rapaz! No teu cu, evidente. Por tua necessidade em sentar ela foi feita, bípede implume.
Uma observação didática: será muito fácil acompanhar esta linha de pensamento caso a maneira maiêutica de ensinar te seja conhecida. Caso não seja, será ainda mais fácil.
Agora que o conceito de propósito — função do resultado da tarefa — e o conceito de objetivo foram compreendidos, a outra explicação seguirá.
Humanos existem. E essa existência consiste no quê? Em matéria. O que prova a existência da matéria? Sua faculdade de afetar outros pedaços de matéria; seu poder de mudar algo. A natureza humana consiste em dois estados: satisfação e insatisfação. Um animal — um mineral, quem sabe? — se sente satisfeito quando sua vontade concorda com o mundo, e a maneira mais segura de consegui-lo é mudando as coisas.
Ela, a satisfação, advém pois da realização de uma tarefa, contanto que — e aqui começa este texto a ter algum sentido — essa tarefa obtenha algum propósito. A obtenção dele é a prova da existência do homem; o espelho de seu ser tomando forma através de suas mãos.
A existência que levas, ao contrário, é uma de pouca responsabilidade. Basta a ti aceitar as consequências de caminhos pavimentados. Caminhante, não há pegadas! Sonâmbulo, dormiste e seguiste sobre o trilho e os dormentes. Escolhes entre caminhos que conduzem invariavelmente para o mesmo destino. Levas uma vida de trilho, de caminho pronto. Não, não isso! Antes, não levas tua vida; ela te leva, outros te levam! Aquilo para o que trabalhas não te oferece propósito algum; tuas tarefas preenchem as horas e esvaziam os dias.
O que há de terrivelmente errado na tua vida, caminhante, é o que ela se tornou:
Um objetivo sem propósito.
Uma cadeira sem cu.
Pietro Borghi
Arschloses Leben
Werde ich Ihnen doch erzählen, was ist so schrecklich falsch im Leben. Zuerst, eine Erklärung um die menschliche Natur. Noch vor dieser Erklärung, sieht es mir eine Erläuterung über den Unterschied zwischen einem Ziel und einem Zweck notwendig aus. Normalerweise, ich würde es hoffen, dass Sie diesen Unterschied schon wussten; das, was ist so schrecklich falsch im Leben, hat mich allerdings ganz hoffnungslos gelassen.
Ein Ziel ist das zugedachtes Ergebnis einer Aufgabe. Man plant und stellt den Stuhl her (tut mir leid, so plötzlich ein Beispiel einfügen; seien Sie ruhig dann: dies ist ja genau ein Beispiel); das ist die Aufgabe. Der Stuhl wird hergestellt; der ist das Ergebnis. Dieses Ergebnis, vom Versehen der Herstellung des Stuhles hergekommen, bezeichnen Sie das doch Ziel. Sie fragen mich aber noch, "wofür war der Stuhl angefertigt? Wo ist der Zweck?" Ach Freund, in Ihrem Arsch, klar! Wegen Ihres Bedarfs an sitzen wurde der Stuhl hergestellt, lieber federloser Zweibeiner.
Eine didaktische Bemerkung: dieser Gedankengang soll Ihnen sehr einfach mitzudenken sein, wenn Sie mit der mäeutische Lehrensweise bekannt sind. Falls Sie kennen die nicht, es wird noch einfacher sein.
Jetzt, da die Begriffe Zweckes — die Funktion des Ergebnisses der Aufgabe — und Ziels eingesehen sind, die verbleibende Erklärung soll dargelegt werden.
Menschen existieren. Und diese Existenz besteht woraus? Aus Materie. Was beweis die Existenz der Materie? Ihre Fähigkeit auf anderen Materiestücke einzuwirken; ihre Macht etwas zu verändern. Die menschliche Natur besteht aus zwei Zustände: Zufriedenheit und Unzufriedenheit (die andere Paare der gegenüberliegende Zuständen waren nicht nutzbar). Jeder zieht den Ersteren dem Letzteren vor. Die Zufriedenheit kommt auf einem Tier vor — manchmal auf einem Mineral — wenn sein Wille stimmt mit der Welt überein. Die sicherere Weise es zu schaffen, ist die Welt zu verändern. Sie können auch die Probabilität warten, obwohl dies ein langsameres und unvorhersehbareres Vorgehen ist.
Sie, die Zufriedenheit, kommt dann aus der Ausführung einer Aufgabe, solange — und hier fängt dieser Text einigen Sinn zu haben an — diese Aufgabe einen Zweck erreicht. Deren Erreichen ist der Beweis der Existenz des Mensches; der Spiegel seines Daseins nimmt durch seine Händen Gestalt an; eine andere Realität seinetwegen.
Das Leben, das wir führen, ist eine die uns wenige Verantwortlichkeit beauftragt. Man wählt unter einige vorhandene Wege, die uns führt unveränderlich zum gleichen Ziele. Nein, das nicht! Führen wir vielmehr unsere Leben nicht; es führt uns, Fremde führen uns! Das, wofür wir arbeiten, bietet uns keinen Zweck an; unsere Aufgabe füllen die Uhren und leeren die Tagen. Das schrecklich falsch im Leben ist das, was es ist geworden:
Ein zweckloser Ziel.
Ein arschloser Stuhl.
Pietro Borghi
Ein Ziel ist das zugedachtes Ergebnis einer Aufgabe. Man plant und stellt den Stuhl her (tut mir leid, so plötzlich ein Beispiel einfügen; seien Sie ruhig dann: dies ist ja genau ein Beispiel); das ist die Aufgabe. Der Stuhl wird hergestellt; der ist das Ergebnis. Dieses Ergebnis, vom Versehen der Herstellung des Stuhles hergekommen, bezeichnen Sie das doch Ziel. Sie fragen mich aber noch, "wofür war der Stuhl angefertigt? Wo ist der Zweck?" Ach Freund, in Ihrem Arsch, klar! Wegen Ihres Bedarfs an sitzen wurde der Stuhl hergestellt, lieber federloser Zweibeiner.
Eine didaktische Bemerkung: dieser Gedankengang soll Ihnen sehr einfach mitzudenken sein, wenn Sie mit der mäeutische Lehrensweise bekannt sind. Falls Sie kennen die nicht, es wird noch einfacher sein.
Jetzt, da die Begriffe Zweckes — die Funktion des Ergebnisses der Aufgabe — und Ziels eingesehen sind, die verbleibende Erklärung soll dargelegt werden.
Menschen existieren. Und diese Existenz besteht woraus? Aus Materie. Was beweis die Existenz der Materie? Ihre Fähigkeit auf anderen Materiestücke einzuwirken; ihre Macht etwas zu verändern. Die menschliche Natur besteht aus zwei Zustände: Zufriedenheit und Unzufriedenheit (die andere Paare der gegenüberliegende Zuständen waren nicht nutzbar). Jeder zieht den Ersteren dem Letzteren vor. Die Zufriedenheit kommt auf einem Tier vor — manchmal auf einem Mineral — wenn sein Wille stimmt mit der Welt überein. Die sicherere Weise es zu schaffen, ist die Welt zu verändern. Sie können auch die Probabilität warten, obwohl dies ein langsameres und unvorhersehbareres Vorgehen ist.
Sie, die Zufriedenheit, kommt dann aus der Ausführung einer Aufgabe, solange — und hier fängt dieser Text einigen Sinn zu haben an — diese Aufgabe einen Zweck erreicht. Deren Erreichen ist der Beweis der Existenz des Mensches; der Spiegel seines Daseins nimmt durch seine Händen Gestalt an; eine andere Realität seinetwegen.
Das Leben, das wir führen, ist eine die uns wenige Verantwortlichkeit beauftragt. Man wählt unter einige vorhandene Wege, die uns führt unveränderlich zum gleichen Ziele. Nein, das nicht! Führen wir vielmehr unsere Leben nicht; es führt uns, Fremde führen uns! Das, wofür wir arbeiten, bietet uns keinen Zweck an; unsere Aufgabe füllen die Uhren und leeren die Tagen. Das schrecklich falsch im Leben ist das, was es ist geworden:
Ein zweckloser Ziel.
Ein arschloser Stuhl.
Pietro Borghi
quinta-feira, 9 de junho de 2011
The Ego and the Matter
Translation of this
http://pietroborghi.blogspot.com/2011/06/das-ego-und-die-materie.html.
---
There are those who believe that the mind in itself can be perceived. My take on it: sustaining that a mind can attain an immediate knowledge of itself is as absurd as the belief that a certain hammer could smash itself.
The mind is merely a tool. One has the faculty to know, which only makes sense as long as there is something to be known. Were it different, it would mean that the Knower could be in effect his Known, at the same time being Subject and Object. Such thought would then lead to the possibility of a learning experience independent of any object other than the mind — the faculty to know — of which relevance consists however in its relationship to the remainder of objects. With that said, what could the mind learn? That it can learn. But how can it be sure, if it has nothing learned and there is nothing to learn at all? It cannot. Therefore the existence of the mind manifests itself only in relationship to the sensible world, as it is a Knower; as such, it presupposes a Known, which is different than the Knower itself. When one thinks of himself, the Known is not his faculty to know, but his relation to something else, how he interacts with his environment. The mind, itself, is empty.
Think, for example, whether you are morally good or evil. What determines your answer? Whence do you draw it? From experience, from similar occurences you have previously undergone, bearing in mind your behaviour in these. You always need external proof for your statements, even if — and perhaps even more if — such statements are about yourself, for the experience, the matter, is everything that is the case.
The mind, itself, is empty.
Pietro Borghi
http://pietroborghi.blogspot.com/2011/06/das-ego-und-die-materie.html.
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There are those who believe that the mind in itself can be perceived. My take on it: sustaining that a mind can attain an immediate knowledge of itself is as absurd as the belief that a certain hammer could smash itself.
The mind is merely a tool. One has the faculty to know, which only makes sense as long as there is something to be known. Were it different, it would mean that the Knower could be in effect his Known, at the same time being Subject and Object. Such thought would then lead to the possibility of a learning experience independent of any object other than the mind — the faculty to know — of which relevance consists however in its relationship to the remainder of objects. With that said, what could the mind learn? That it can learn. But how can it be sure, if it has nothing learned and there is nothing to learn at all? It cannot. Therefore the existence of the mind manifests itself only in relationship to the sensible world, as it is a Knower; as such, it presupposes a Known, which is different than the Knower itself. When one thinks of himself, the Known is not his faculty to know, but his relation to something else, how he interacts with his environment. The mind, itself, is empty.
Think, for example, whether you are morally good or evil. What determines your answer? Whence do you draw it? From experience, from similar occurences you have previously undergone, bearing in mind your behaviour in these. You always need external proof for your statements, even if — and perhaps even more if — such statements are about yourself, for the experience, the matter, is everything that is the case.
The mind, itself, is empty.
Pietro Borghi
segunda-feira, 6 de junho de 2011
O Papel do Pfsô
Escrevi esse texto há uns 5 anos, mas até que não está ruim. E, muito infelizmente, não está defasado. There you go!
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Durante muito tempo os profissionais da educação, cientistas da educação e etc. vêm discutindo “o papel do professor”, “como lidar com alunos assim, com alunos assado, cozido, frito”, “metodologias de ensino para os professores”, “atualização de professores”, “a evolução da escola” e blá-blá-blá. Tudo isso é uma miserável, terrível, incomensurável perda de tempo. Os professores não são o mais importante. Devem parar com essa megalomania de que estão mostrando a luz aos alunos, de que são “o caminho, a verdade e a vida” para os pobres coitados que ainda não são gente. Os alunos não são ratos de laboratório, para testar se os professores são bons ou não. O aluno deve usufruir a escola, e não a escola usar o aluno para conseguir fama e verba dos fundos de educação. Pensam vaidosamente nos alunos como um mero monte de barro que precisa ser moldado para ficar belo e lustroso, aumentando seu preço de venda para o mercado de trabalho — o qual deveria chamar-se mercado de trabalhadores, uma nova forma de escravidão.
Pois infelizmente, como uns punhados de barro são vistos os “estudantes”, que, ironicamente, graças à escola, detestam o estudo. São bem moldados no ensino fundamental e médio para assim garantir o selo de qualidade de uma Unicamp, de uma USP, ou de algum órgão certificado para avaliar os potes de barro. Os pouco promissores, um tanto defeituosos, que sigam seu caminho para um curso técnico ou para uma universidade classe B. Serão os excelentes serviçais das “grandes pessoas” formadas nas grandes universidades.
Se os professores realmente quisessem mudar algo, começariam por eles mesmos. Eu posso ajudar, escrevendo os princípios para um manual do professor, que não deveria se estender muito, ou já começarão a elaborar teorias incompreensíveis e alienadas a partir de regras suficientemente claras. Pois aqui vai:
1. Jamais tratar o aluno como inferior;
2. Jamais se negar a sanar uma dúvida do aluno (a não ser que não saiba a resposta);
3. No caso acima, se não souber a resposta, não invente. Admita que não sabe e ajude o aluno a encontrar a solução;
4. Deixe bem claro que você está à inteira disposição do aluno, assim ele não temerá pedir ajuda e a ser humilde (não confunda com modéstia!).
5. Se não pode ajudar, não atrapalhe. Se o item 4 for cumprido, não há necessidade de ficar se oferecendo ou de dizer ao aluno como se deve fazer.
Em resumo, o professor é o auxiliar do aluno, não a mula teimosa que o carrega nas costas pra onde ela quer. E ser auxiliar não dói, ao contrário de ser mula, pois carregar mais de trinta alunos nas costas, ainda por cima na direção para a qual ninguém quer ir, com certeza causará um terrível problema de coluna.
Pietro Borghi
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Durante muito tempo os profissionais da educação, cientistas da educação e etc. vêm discutindo “o papel do professor”, “como lidar com alunos assim, com alunos assado, cozido, frito”, “metodologias de ensino para os professores”, “atualização de professores”, “a evolução da escola” e blá-blá-blá. Tudo isso é uma miserável, terrível, incomensurável perda de tempo. Os professores não são o mais importante. Devem parar com essa megalomania de que estão mostrando a luz aos alunos, de que são “o caminho, a verdade e a vida” para os pobres coitados que ainda não são gente. Os alunos não são ratos de laboratório, para testar se os professores são bons ou não. O aluno deve usufruir a escola, e não a escola usar o aluno para conseguir fama e verba dos fundos de educação. Pensam vaidosamente nos alunos como um mero monte de barro que precisa ser moldado para ficar belo e lustroso, aumentando seu preço de venda para o mercado de trabalho — o qual deveria chamar-se mercado de trabalhadores, uma nova forma de escravidão.
Pois infelizmente, como uns punhados de barro são vistos os “estudantes”, que, ironicamente, graças à escola, detestam o estudo. São bem moldados no ensino fundamental e médio para assim garantir o selo de qualidade de uma Unicamp, de uma USP, ou de algum órgão certificado para avaliar os potes de barro. Os pouco promissores, um tanto defeituosos, que sigam seu caminho para um curso técnico ou para uma universidade classe B. Serão os excelentes serviçais das “grandes pessoas” formadas nas grandes universidades.
Se os professores realmente quisessem mudar algo, começariam por eles mesmos. Eu posso ajudar, escrevendo os princípios para um manual do professor, que não deveria se estender muito, ou já começarão a elaborar teorias incompreensíveis e alienadas a partir de regras suficientemente claras. Pois aqui vai:
1. Jamais tratar o aluno como inferior;
2. Jamais se negar a sanar uma dúvida do aluno (a não ser que não saiba a resposta);
3. No caso acima, se não souber a resposta, não invente. Admita que não sabe e ajude o aluno a encontrar a solução;
4. Deixe bem claro que você está à inteira disposição do aluno, assim ele não temerá pedir ajuda e a ser humilde (não confunda com modéstia!).
5. Se não pode ajudar, não atrapalhe. Se o item 4 for cumprido, não há necessidade de ficar se oferecendo ou de dizer ao aluno como se deve fazer.
Em resumo, o professor é o auxiliar do aluno, não a mula teimosa que o carrega nas costas pra onde ela quer. E ser auxiliar não dói, ao contrário de ser mula, pois carregar mais de trinta alunos nas costas, ainda por cima na direção para a qual ninguém quer ir, com certeza causará um terrível problema de coluna.
Pietro Borghi
Das Ego und die Materie
Es gibt diejenige, die glauben, dass der menschliche Geist an sich begriffen werden kann. Mein Gedank darüber: festhalten, dass ein Geist eine unmittelbare Erkenntnis über sich erreichen kann, ist als sinnlos als der Glaube, ein Hammer sich selbst schlagen könnte.
Der Geist ist nur ein Gerät; man hat eine Wissensfähigkeit, die sinnvoll ist nur solange es hat etwas zu erkennen. Wäre es sonst, das hieße der Erkennende als sein Erkannt gelten könnte; Subjekt und Objekt gleichzeitig wäre. Wenn dieses Gerät aber gar nicht weiß, dann diese Gedankengang führt zur Möglichkeit eines Lernens ohne andere Objekte, nur die selbste Wissensfähigkeit, deren Bedeutung besteht jedoch aus ihre Beziehung zum Rest Objekte. Was könnte somit der Geist über sich lernen dann? Dass er lernen kann. Aber wie kann er da gewiss sein, wenn er nichts gelernt hat, und es nichts zu lernen gibt? Er kann nicht. Daher die Existenz des Geistes einleuchtet nur in Beziehung zur sinnlichen Welt, als er ein Erkennende ist; so setzt er ein Erkannt voraus, der verschieden von sich ist. Wann man über sich nachdenkt, der Erkannt ist nicht seine Wissensfähikeit, aber seine Beziehungen zu etwas anderes, wie das Subjekt wechselspielt mit seiner Umgebung. Der Geist ist leer.
Bedenk mal, z. B., ob du moralisch gut oder böse bist. Was bestimmt deine Antwort? Woraus ziehst es du? Aus der Erfahrung, aus den ähnlichen Ereignissen du zuvor durchlebt hast, berücksichtigend wie du hast benommen. Du brauchst immer äußerlichen Beweis für deine Aussage, selbst wenn — und vielleicht sogar mehr — du über dich selbst sagen sollst, als die Erfahrung, die Materie, ist alles, dass der Fall ist.
Der Geist ist leer.
(Wenn da es gibt etwas falsch geschrieben, korrigiere mich doch bitte)
Pietro Borghi
Der Geist ist nur ein Gerät; man hat eine Wissensfähigkeit, die sinnvoll ist nur solange es hat etwas zu erkennen. Wäre es sonst, das hieße der Erkennende als sein Erkannt gelten könnte; Subjekt und Objekt gleichzeitig wäre. Wenn dieses Gerät aber gar nicht weiß, dann diese Gedankengang führt zur Möglichkeit eines Lernens ohne andere Objekte, nur die selbste Wissensfähigkeit, deren Bedeutung besteht jedoch aus ihre Beziehung zum Rest Objekte. Was könnte somit der Geist über sich lernen dann? Dass er lernen kann. Aber wie kann er da gewiss sein, wenn er nichts gelernt hat, und es nichts zu lernen gibt? Er kann nicht. Daher die Existenz des Geistes einleuchtet nur in Beziehung zur sinnlichen Welt, als er ein Erkennende ist; so setzt er ein Erkannt voraus, der verschieden von sich ist. Wann man über sich nachdenkt, der Erkannt ist nicht seine Wissensfähikeit, aber seine Beziehungen zu etwas anderes, wie das Subjekt wechselspielt mit seiner Umgebung. Der Geist ist leer.
Bedenk mal, z. B., ob du moralisch gut oder böse bist. Was bestimmt deine Antwort? Woraus ziehst es du? Aus der Erfahrung, aus den ähnlichen Ereignissen du zuvor durchlebt hast, berücksichtigend wie du hast benommen. Du brauchst immer äußerlichen Beweis für deine Aussage, selbst wenn — und vielleicht sogar mehr — du über dich selbst sagen sollst, als die Erfahrung, die Materie, ist alles, dass der Fall ist.
Der Geist ist leer.
(Wenn da es gibt etwas falsch geschrieben, korrigiere mich doch bitte)
Pietro Borghi
quinta-feira, 2 de junho de 2011
Tudo que sei é que nada... sabem!
Poesia noturna,
Sob a trêmula luz que se apaga,
querendo ouvir baixinho
os sussurros reveladores
de vozes incessantes, retumbantes,
ardentes no desejo de atenção.
Isso, atenção.
Cambada de carentes, no coração e no cérebro. Buscam a identificação, o que é natural; e procuram a centelha de semelhança. E se assemelham onde? Bem ali, no traço do qual todos deveriam prescindir. Criticam com a palavra dos mortos, dos desconhecidos mais populares, daqueles que possam conferir a patente mais alta no círculo dos proto-sabidos. Cultuando a dúvida não pela sua utilidade, mas pelo ar blasé, exalando aura de pretensão despretensiosa; quem questiona aparenta mais neurônios que quem responde. E se arrisca menos também.
Não sabem de nada que fuja às sessões de debate infrutíferas em busca da resposta para pergunta nenhuma, ou para o que não sabem perguntar. O discurso floreado é só labirinto do pensamento, sem substância, ornando com ouro a casa demolida. Sem substância. E sem substância seguem, pois vale o esforço. Que esforço? Ninguém vira Messi jogando futebol no videogame. A arte não é plataforma para comunicação frívola; a letra não salva o conceito. Não deve ser abusada, estuprada. Deitam-se com a arte para gozo próprio e lhe devolvem traumas. Inocuamente ferozes, esses meninos e meninas. Perderam os laços com os próprios cérebros e querem emendar às pressas, pois o desprovimento de poderes mais práticos exige uma auto-elevação alternativa.
A tática até serve de improviso — mas só de improviso. Não chega a José Saramago quem reedita Paulo Coelho.
Pietro Borghi
Sob a trêmula luz que se apaga,
querendo ouvir baixinho
os sussurros reveladores
de vozes incessantes, retumbantes,
ardentes no desejo de atenção.
Isso, atenção.
Cambada de carentes, no coração e no cérebro. Buscam a identificação, o que é natural; e procuram a centelha de semelhança. E se assemelham onde? Bem ali, no traço do qual todos deveriam prescindir. Criticam com a palavra dos mortos, dos desconhecidos mais populares, daqueles que possam conferir a patente mais alta no círculo dos proto-sabidos. Cultuando a dúvida não pela sua utilidade, mas pelo ar blasé, exalando aura de pretensão despretensiosa; quem questiona aparenta mais neurônios que quem responde. E se arrisca menos também.
Não sabem de nada que fuja às sessões de debate infrutíferas em busca da resposta para pergunta nenhuma, ou para o que não sabem perguntar. O discurso floreado é só labirinto do pensamento, sem substância, ornando com ouro a casa demolida. Sem substância. E sem substância seguem, pois vale o esforço. Que esforço? Ninguém vira Messi jogando futebol no videogame. A arte não é plataforma para comunicação frívola; a letra não salva o conceito. Não deve ser abusada, estuprada. Deitam-se com a arte para gozo próprio e lhe devolvem traumas. Inocuamente ferozes, esses meninos e meninas. Perderam os laços com os próprios cérebros e querem emendar às pressas, pois o desprovimento de poderes mais práticos exige uma auto-elevação alternativa.
A tática até serve de improviso — mas só de improviso. Não chega a José Saramago quem reedita Paulo Coelho.
Pietro Borghi
sexta-feira, 15 de abril de 2011
terça-feira, 1 de março de 2011
Mas é porque eu quero, não porque você mandou.
Sentei eu para comer em uma noite dessas e me senti tenso; muito, muito desconfortável. Tirei os fones das orelhas e me acalmei — acalme-se você também, isso aqui não é arte pós-moderna, obscura e aleijada; eu tenho um propósito com essa banalidade. Como eu escrevia, tirei os fones. E pensei sobre o porquê da tensão anterior e do alívio posterior. Concluí que, como estava eu sozinho, me alimentando, à noite, seria desvantajoso estar alheio ao ambiente. Permanecer alerta para se proteger e proteger a própria comida é imperativo, caros bípedes. Assim, instintivamente tirei os fones para evitar ser surpreendido com uma facada nas costelas. Simples utilitarismo.
A questão de fato relevante que me surgiu dessa banalidade foi da possibilidade do livre-arbítrio. Pois eu não escolhi tirar os fones. Não refleti, não ponderei; agi e pronto. O livre-arbítrio pressupõe uma livre escolha — obviamente não em todos os atos —, independente de qualquer influência material, diga-se, imediata. Imediata, como na contração muscular abrupta depois de um choque. Uma arma na cabeça não é uma influência material imediata, assim como também não o é comer sozinho à noite com fones nas orelhas.
Nas decisões mediatas, com tempo de decisão, o problema é outro. Assume-se que cada um exerce a sua vontade de acordo com a situação, sem deixar-se sem escolher (mesmo quando se diz "eu não tinha escolha", geralmente se quer dizer que as alternativas eram muito inferiores). A concepção de determinismo é contra-intuitiva, pois as pessoas percebem-se querendo e decidindo e agindo. Percebem-se livremente arbitrárias (?!).
No entanto a ciência, do outro lado do ringue e vestindo calções vermelhos, golpeia impiedosamente, fazendo escorrer cada vez mais a liberdade pelo nariz do pobre arbítrio. As decisões, que estranhamente querem os humanóides que sejam isoladas, destacadas do mundo, nada mais são que o seu corpo reagindo quimicamente aos dados sensíveis. Pobres marionetes.
A ideia de livre-arbítrio se funda na crença de um intelecto independente do corpo, de uma dualidade entre matéria e algo espiritual, intangível, transcendente (veja que os significados portugueses de mente e espírito compartilham em francês um único vocábulo: esprit; o mesmo vale para o alemão Geist). Pois a mente que percebe o mundo não percebe a si própria, não sente a si própria; é para si imperscrutável. Um braço perdido não impede a faculdade de reconhecer a perda, já uma mente perdida não saberá que se foi. Não saberá nada, pois aquilo que poderia saber não existirá mais. E o que é a mente? É o seu cérebro, caboclo — não passa disso. Observe que todo o misticismo advém de um ou outro grau de ignorância, e da relutância em admiti-la. A mente, espírito, Geist, esprit, Tico e Teco, etc não passa de lobos, hipotálamo, córtex, neurônios, connectomes. Isso não significa que sua vontade seja controlada por enzimas e impulsos elétricos. Isso significa que essas enzimas, esses choquinhos, esse peso dentro do seu crânio, são a sua vontade. Eles são você, e você não passa disso.
Mas não há motivo para desespero, garotada, nem para acreditar em um 2012 apocalíptico com você ganhando uma coleção de jogos do Gugu entregues pelo Restart. Porque o arbítrio, materialmente determinado, não é menos seu por isso. Porque ser marionete de si mesmo está longe de configurar tirania.
E porque não poder enxergar atrás das órbitas não retira a beleza do que está à frente delas.
Pietro Borghi
A questão de fato relevante que me surgiu dessa banalidade foi da possibilidade do livre-arbítrio. Pois eu não escolhi tirar os fones. Não refleti, não ponderei; agi e pronto. O livre-arbítrio pressupõe uma livre escolha — obviamente não em todos os atos —, independente de qualquer influência material, diga-se, imediata. Imediata, como na contração muscular abrupta depois de um choque. Uma arma na cabeça não é uma influência material imediata, assim como também não o é comer sozinho à noite com fones nas orelhas.
Nas decisões mediatas, com tempo de decisão, o problema é outro. Assume-se que cada um exerce a sua vontade de acordo com a situação, sem deixar-se sem escolher (mesmo quando se diz "eu não tinha escolha", geralmente se quer dizer que as alternativas eram muito inferiores). A concepção de determinismo é contra-intuitiva, pois as pessoas percebem-se querendo e decidindo e agindo. Percebem-se livremente arbitrárias (?!).
No entanto a ciência, do outro lado do ringue e vestindo calções vermelhos, golpeia impiedosamente, fazendo escorrer cada vez mais a liberdade pelo nariz do pobre arbítrio. As decisões, que estranhamente querem os humanóides que sejam isoladas, destacadas do mundo, nada mais são que o seu corpo reagindo quimicamente aos dados sensíveis. Pobres marionetes.
A ideia de livre-arbítrio se funda na crença de um intelecto independente do corpo, de uma dualidade entre matéria e algo espiritual, intangível, transcendente (veja que os significados portugueses de mente e espírito compartilham em francês um único vocábulo: esprit; o mesmo vale para o alemão Geist). Pois a mente que percebe o mundo não percebe a si própria, não sente a si própria; é para si imperscrutável. Um braço perdido não impede a faculdade de reconhecer a perda, já uma mente perdida não saberá que se foi. Não saberá nada, pois aquilo que poderia saber não existirá mais. E o que é a mente? É o seu cérebro, caboclo — não passa disso. Observe que todo o misticismo advém de um ou outro grau de ignorância, e da relutância em admiti-la. A mente, espírito, Geist, esprit, Tico e Teco, etc não passa de lobos, hipotálamo, córtex, neurônios, connectomes. Isso não significa que sua vontade seja controlada por enzimas e impulsos elétricos. Isso significa que essas enzimas, esses choquinhos, esse peso dentro do seu crânio, são a sua vontade. Eles são você, e você não passa disso.
Mas não há motivo para desespero, garotada, nem para acreditar em um 2012 apocalíptico com você ganhando uma coleção de jogos do Gugu entregues pelo Restart. Porque o arbítrio, materialmente determinado, não é menos seu por isso. Porque ser marionete de si mesmo está longe de configurar tirania.
E porque não poder enxergar atrás das órbitas não retira a beleza do que está à frente delas.
Pietro Borghi
sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011
Nouveau, pas neuf!
Essa é uma resenha sob encomenda escrita em 2009 que acabou não sendo utilizada. Economizei no sal porque o autor oficial era mais bondoso; tive de assumir o personagem. Minha crítica sincera e reflexiva é que o livro — O Monge e o Executivo — seria ótimo para quando faltasse lenha num acampamento. Basta observar o gênero: auto-ajuda.
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Escrito por James C. Hunter, consultor e palestrante na área de RH e treinamento (aquele tipo conhecido como “coaching”), O Monge e o Executivo figura entre os livros de fácil compreensão e um bom tempero motivacional. John Daily, o protagonista e companheiro de aprendizado durante o livro, conta-nos sua história de típico homem de negócios bem-sucedido, com um bom salário, um cargo de gerência em uma fábrica de vidro plano, uma linda e carinhosa esposa, dois filhos, dois carros novos, bons passeios de férias, enfim, tudo que se idealiza como uma vida agradável nos tempos modernos.
Sua situação gloriosa, no entanto, reverte-se (ou melhor, revela-se) surpreendentemente em todos os aspectos: seu filho mais velho se rebela, os quinhentos funcionários da fábrica sob sua gerência fazem o mesmo exigindo mais direitos, sua esposa não se sente satisfeita e até os jogadores do time de beisebol que ele dirige como voluntário não aprovam seu trabalho. O que fazer diante deste colapso? John Daily aceita a contragosto a sugestão de sua mulher de fazer um retiro num mosteiro de Michigan, onde muitos em situações similares se recolhem para repensar suas vidas. O administrador só se sente animado com uma informação: um quase lendário homem de negócios que havia desaparecido há algum tempo ministrava um curso de liderança no local.
Naturalmente o interesse de John reside na oportunidade de aprender com Len Hoffman, o referido professor, rebatizado como Simeão no mosteiro. O aprendizado, em grupo, apresenta conceitos para uma liderança mais eficiente em todas as áreas da vida, condensados em uma idéia básica: para liderar é necessário servir.
Servir significa suprir as necessidades dos liderados, oferecer-lhes condições agradáveis para executar seus trabalhos. Esta idéia traz maior responsabilidade aos gerentes, e apesar de não ser tão obscura, continua sendo amplamente ignorada em nosso mundo de negócios.
Ao final da semana de aprendizado, John reformula sua maneira de tratar seus relacionamentos — como havia dito Simeão, o ponto principal de qualquer área da vida —, agradecendo seu professor e seus colegas de curso, voltando para sua linda mulher e filhos e, é claro, para uma nova vida.
O livro de Hunter em geral trabalha com estereótipos e apresenta as ideias de maneira bem fácil, talvez leviana, um elemento característico do gênero auto-ajuda e/ou popular. Não que seja uma exigência o rigor acadêmico — como já disse Malcolm Gladwell, o leitor comum não quer ser convencido, e sim cativado —, mas diversas vezes incomoda a falta de desenvolvimento deste ou daquele conceito, recorrendo somente à autoridade do senso comum. O Monge e o Executivo, em suma, conta o que todo líder natural reconhece como a Regra de Ouro: trate como gostaria de ser tratado. Esperemos que os que são apenas gerentes aprendam.
Informações do livro:
Nome: O Monge e o Executivo (The Servant no original)
Autor: James C. Hunter
Editora: Sextante (Rio de Janeiro)
Gênero: Liderança
Ano: 2004 (edição brasileira), 1998 (edição original em inglês)
Tradutora: Maria da Conceição Fornos de Magalhães
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Escrito por James C. Hunter, consultor e palestrante na área de RH e treinamento (aquele tipo conhecido como “coaching”), O Monge e o Executivo figura entre os livros de fácil compreensão e um bom tempero motivacional. John Daily, o protagonista e companheiro de aprendizado durante o livro, conta-nos sua história de típico homem de negócios bem-sucedido, com um bom salário, um cargo de gerência em uma fábrica de vidro plano, uma linda e carinhosa esposa, dois filhos, dois carros novos, bons passeios de férias, enfim, tudo que se idealiza como uma vida agradável nos tempos modernos.
Sua situação gloriosa, no entanto, reverte-se (ou melhor, revela-se) surpreendentemente em todos os aspectos: seu filho mais velho se rebela, os quinhentos funcionários da fábrica sob sua gerência fazem o mesmo exigindo mais direitos, sua esposa não se sente satisfeita e até os jogadores do time de beisebol que ele dirige como voluntário não aprovam seu trabalho. O que fazer diante deste colapso? John Daily aceita a contragosto a sugestão de sua mulher de fazer um retiro num mosteiro de Michigan, onde muitos em situações similares se recolhem para repensar suas vidas. O administrador só se sente animado com uma informação: um quase lendário homem de negócios que havia desaparecido há algum tempo ministrava um curso de liderança no local.
Naturalmente o interesse de John reside na oportunidade de aprender com Len Hoffman, o referido professor, rebatizado como Simeão no mosteiro. O aprendizado, em grupo, apresenta conceitos para uma liderança mais eficiente em todas as áreas da vida, condensados em uma idéia básica: para liderar é necessário servir.
Servir significa suprir as necessidades dos liderados, oferecer-lhes condições agradáveis para executar seus trabalhos. Esta idéia traz maior responsabilidade aos gerentes, e apesar de não ser tão obscura, continua sendo amplamente ignorada em nosso mundo de negócios.
Ao final da semana de aprendizado, John reformula sua maneira de tratar seus relacionamentos — como havia dito Simeão, o ponto principal de qualquer área da vida —, agradecendo seu professor e seus colegas de curso, voltando para sua linda mulher e filhos e, é claro, para uma nova vida.
O livro de Hunter em geral trabalha com estereótipos e apresenta as ideias de maneira bem fácil, talvez leviana, um elemento característico do gênero auto-ajuda e/ou popular. Não que seja uma exigência o rigor acadêmico — como já disse Malcolm Gladwell, o leitor comum não quer ser convencido, e sim cativado —, mas diversas vezes incomoda a falta de desenvolvimento deste ou daquele conceito, recorrendo somente à autoridade do senso comum. O Monge e o Executivo, em suma, conta o que todo líder natural reconhece como a Regra de Ouro: trate como gostaria de ser tratado. Esperemos que os que são apenas gerentes aprendam.
Informações do livro:
Nome: O Monge e o Executivo (The Servant no original)
Autor: James C. Hunter
Editora: Sextante (Rio de Janeiro)
Gênero: Liderança
Ano: 2004 (edição brasileira), 1998 (edição original em inglês)
Tradutora: Maria da Conceição Fornos de Magalhães
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Note a desmotivação em escrever; como as sentenças se arrastam ou se atropelam, são escritas de maneira forçosa em alguns pontos e apressada em outros. Difícil fingir cordialidade com algo que eu desprezo tanto. Mas pelo menos valeu um post, uai!
Pietro Borghi
Pietro Borghi
sábado, 1 de janeiro de 2011
Sei não, rapaz. (e você também não sabe, ha!)
Agora segue a minha refutação das análises feitas por Daniel Grandinetti. Se você não leu o texto anterior até ler isso aqui, nem precisa. É muito mais legal assistir a implosão que a construção.
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"Se Deus é determinado, então ele é alguma coisa espaço-temporal. A indeterminação representa a não-temporalidade e a não-espacialidade; ou seja, Deus só seria atemporal e não-espacial se fosse indeterminado."
Há aí uma distinção entre imanência e transcendência, não entre determinação e indeterminação. Indeterminado é aquilo que não se distingue do todo. Alma, pensamentos, Deus, são conceitos claramente distintos, com características próprias. Partilhar da transcendência — i.e. não ser condicionado por espaço e tempo — não os torna conceitualmente inseparáveis e difusos. Mesmo que assim fosse, somente a característica de não serem espaço-temporais já os livra da definição de "coleção de todas as coisas", já que possuem uma propriedade incompatível com o grupo das coisas imanentes. A primeira análise se baseia sobre a indeterminação de Deus; uma vez derrubada essa proposição, derrubada também a conclusão.
"Tudo o que é determinado é FINITO. “Infinito” significa ‘aquilo que não possui limites’, e aquilo que não possui limites não pode ser distinto ou diferente de nada, pois toda forma de diferença é uma forma de limitação. Assim, o infinito não pode ser oposto ou diferente da finitude, pois dessa forma o próprio infinito estaria determinado e limitado pela finitude, e seria finito ele mesmo. Se o infinito não pode ser oposto à finitude, deve ser igual à ela. Como?? “Infinito” é o conjunto sem limites de todas as coisas finitas, ou seja, ‘infinito’ é sinônimo de ‘indeterminado’,
Infinito e indeterminado não são sinônimos. O infinito não é a completa diluição de todos os conceitos em um só, mas a intensificação de uma grandeza de um conceito de maneira inatingível por qualquer outra grandeza. A série dos números reais é infinita, no entanto não pretende conter uma infinitude de conceitos. Ela é determinada de alguma forma, sem que isso a torne finita.
"e alguma coisa só se torna infinita ou indeterminada caso se determine de todas as formas possíveis, ad infinitum."
Determinamos algo para que se torne indeterminado? Então, como eu sou solidário, refutei as análises para corroborá-las.
Pietro Borghi
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"Se Deus é determinado, então ele é alguma coisa espaço-temporal. A indeterminação representa a não-temporalidade e a não-espacialidade; ou seja, Deus só seria atemporal e não-espacial se fosse indeterminado."
Há aí uma distinção entre imanência e transcendência, não entre determinação e indeterminação. Indeterminado é aquilo que não se distingue do todo. Alma, pensamentos, Deus, são conceitos claramente distintos, com características próprias. Partilhar da transcendência — i.e. não ser condicionado por espaço e tempo — não os torna conceitualmente inseparáveis e difusos. Mesmo que assim fosse, somente a característica de não serem espaço-temporais já os livra da definição de "coleção de todas as coisas", já que possuem uma propriedade incompatível com o grupo das coisas imanentes. A primeira análise se baseia sobre a indeterminação de Deus; uma vez derrubada essa proposição, derrubada também a conclusão.
"Tudo o que é determinado é FINITO. “Infinito” significa ‘aquilo que não possui limites’, e aquilo que não possui limites não pode ser distinto ou diferente de nada, pois toda forma de diferença é uma forma de limitação. Assim, o infinito não pode ser oposto ou diferente da finitude, pois dessa forma o próprio infinito estaria determinado e limitado pela finitude, e seria finito ele mesmo. Se o infinito não pode ser oposto à finitude, deve ser igual à ela. Como?? “Infinito” é o conjunto sem limites de todas as coisas finitas, ou seja, ‘infinito’ é sinônimo de ‘indeterminado’,
Infinito e indeterminado não são sinônimos. O infinito não é a completa diluição de todos os conceitos em um só, mas a intensificação de uma grandeza de um conceito de maneira inatingível por qualquer outra grandeza. A série dos números reais é infinita, no entanto não pretende conter uma infinitude de conceitos. Ela é determinada de alguma forma, sem que isso a torne finita.
"e alguma coisa só se torna infinita ou indeterminada caso se determine de todas as formas possíveis, ad infinitum."
Determinamos algo para que se torne indeterminado? Então, como eu sou solidário, refutei as análises para corroborá-las.
Pietro Borghi
Não existe!
Agradeço a Daniel Grandinetti por permitir que eu publicasse aqui (mesmo um público mínimo como o desse blog é um público, coléguas!) seu texto que segue.
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Deus não existe, e eu PROVO:
Definição de Deus:
Por ‘Deus’ entende-se, na cultura judaico-cristã, um ser superior, infinito, onisciente, onipresente e onipotente que é criador e fundamento de todas as coisas.
Análise da definição de Deus e demonstração da IMPOSSIBILIDADE de sua existência:
Primeira Análise:
Se Deus é o criador do mundo, ele é distinto de sua criação. Se é distinto de sua criação, ele é determinado, pois toda forma de diferença é uma forma de determinação. Assim, afirmar que Deus é alguma coisa determinada significa dizer que ‘alguma coisa é Deus, mas Deus não é todas as coisas’.
Se Deus é determinado, então ele é alguma coisa espaço-temporal. A indeterminação representa a não-temporalidade e a não-espacialidade; ou seja, Deus só seria atemporal e não-espacial se fosse indeterminado.
Porém, se Deus existe no tempo e no espaço, ele próprio não poderia ser nem o criador e nem o fundamento do tempo e do espaço. Se ele fosse seu criador, ele seria o criador de si mesmo e, na condição de ‘criatura’, não poderia ser Deus. Se ele fosse o fundamento do tempo e do espaço, teria que ser algo diferente tanto do espaço quanto do tempo; caso contrário, ele não poderia acabar com o tempo e com o espaço sem acabar consigo mesmo.
LOGO, é IMPOSSÍVEL que exista um ser que tenha criado o mundo, já que a pressuposição da existência de um tal ser implica na diferença entre este ser e a coisa criada, e tal distinção necessariamente estabelece este ser como um ente espaço-temporal que, nestas condições, não poderia ser nem o criador e nem o fundamento do tempo e do espaço.
Segunda Análise:
Tudo o que é determinado é FINITO. “Infinito” significa ‘aquilo que não possui limites’, e aquilo que não possui limites não pode ser distinto ou diferente de nada, pois toda forma de diferença é uma forma de limitação. Assim, o infinito não pode ser oposto ou diferente da finitude, pois dessa forma o próprio infinito estaria determinado e limitado pela finitude, e seria finito ele mesmo. Se o infinito não pode ser oposto à finitude, deve ser igual à ela. Como?? “Infinito” é o conjunto sem limites de todas as coisas finitas, ou seja, ‘infinito’ é sinônimo de ‘indeterminado’, e alguma coisa só se torna infinita ou indeterminada caso se determine de todas as formas possíveis, ad infinitum.
Se o infinito é indeterminado, então aquilo que é infinito é INDISTINTO de tudo mais.
Assim, se Deus é infinito, ele não pode ser onipresente. Pois aquilo que ‘está presente em todas as coisas’ é DIFERENTE das coisas nas quais está presente. ‘Presença’ é diferente de ‘indistinção’. Se alguma coisa está presente em outra, estas duas coisas são distintas, e apresentam uma RELAÇÃO, não a condição de ‘indistinção’.
Se Deus é infinito, ele não pode ser ‘onisciente’. Toda forma de consciência implica na distinção entre sujeito e objeto. Onde não há esta distinção, não há consciência. Entretanto, se Deus é infinito, não pode haver qualquer espécie de distinção entre Ele enquanto ‘sujeito’ e todas as coisas enquanto ‘objeto’; assim, Ele não pode ser ‘consciente de todas as coisas’.
Se Deus é infinito, ele não pode ser onipotente. O poder de fazer tudo significa o poder de transformar ou criar qualquer coisa. Entretanto, isto implica na distinção entre um sujeito criador ou transformador e um objeto criado ou transformado. Mas na definição de infinito não cabe qualquer distinção deste tipo.
LOGO, se Deus é infinito, ele não pode ser nem onipotente, nem onipresente, nem onisciente. Por sua vez, se Deus não for infinito, ele não pode ser nem o fundamento e nem o criador de nada, e, assim, não pode ser onipotente, pois não teria poderes ilimitados d ecriação e transformação. Além do mais, se Deus não é infinito ele pode ser dotado de consciência, mas não da consciência de todas as coisas, já que a consciência de todas as coisas seria exatamente a consciência do INFINITO, que é INDETERMINADA e que, portanto, não é consciência alguma. Assim, Deus não pode ser onisciente. O mesmo raciocínio vale para a onipresença: se Deus estivesse presente em TODAS as coisas, ele seria, na verdade, infinito. A distinção entre Deus e as coisas nas quais ele está presente implica no fato de que há instâncias destas coisas nas quais Deus não está presente.
Conclusão:
Se Deus é infinito, ele não pode ser o criador do mundo, não pode ser o fundamento de todas as coisas, não pode ser onisciente, onipotente e onipresente e, por outro lado, se Deus é finito ele também não pode ser o criador do mundo, não pode ser o fundamento de todas as coisas, não pode ser onisciente, onipotente e onipresente!!! O conceito de Deus é INSUSTENTÁVEL, por qualquer meio pelo qual se tente analisa-lo.
Observações:
Este é um estudo filosófico, dentro da mais conscienciosa lógica da filosofia ocidental. Assim, é bem provável que sua linguagem seja incompreensível para quem não tem uma grande familiaridade com a Filosofia. Entretanto, eu sugiro VEEMENTEMENTE que todo aquele que quiser expor opinião contrária se prenda nas premissas e tente REFUTÁ-LAS. Defesas clamorosas, piegas, sentimentalistas ou dogmáticas da existência de Deus devem ser evitadas.
Daniel Grandinetti
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Deus não existe, e eu PROVO:
Definição de Deus:
Por ‘Deus’ entende-se, na cultura judaico-cristã, um ser superior, infinito, onisciente, onipresente e onipotente que é criador e fundamento de todas as coisas.
Análise da definição de Deus e demonstração da IMPOSSIBILIDADE de sua existência:
Primeira Análise:
Se Deus é o criador do mundo, ele é distinto de sua criação. Se é distinto de sua criação, ele é determinado, pois toda forma de diferença é uma forma de determinação. Assim, afirmar que Deus é alguma coisa determinada significa dizer que ‘alguma coisa é Deus, mas Deus não é todas as coisas’.
Se Deus é determinado, então ele é alguma coisa espaço-temporal. A indeterminação representa a não-temporalidade e a não-espacialidade; ou seja, Deus só seria atemporal e não-espacial se fosse indeterminado.
Porém, se Deus existe no tempo e no espaço, ele próprio não poderia ser nem o criador e nem o fundamento do tempo e do espaço. Se ele fosse seu criador, ele seria o criador de si mesmo e, na condição de ‘criatura’, não poderia ser Deus. Se ele fosse o fundamento do tempo e do espaço, teria que ser algo diferente tanto do espaço quanto do tempo; caso contrário, ele não poderia acabar com o tempo e com o espaço sem acabar consigo mesmo.
LOGO, é IMPOSSÍVEL que exista um ser que tenha criado o mundo, já que a pressuposição da existência de um tal ser implica na diferença entre este ser e a coisa criada, e tal distinção necessariamente estabelece este ser como um ente espaço-temporal que, nestas condições, não poderia ser nem o criador e nem o fundamento do tempo e do espaço.
Segunda Análise:
Tudo o que é determinado é FINITO. “Infinito” significa ‘aquilo que não possui limites’, e aquilo que não possui limites não pode ser distinto ou diferente de nada, pois toda forma de diferença é uma forma de limitação. Assim, o infinito não pode ser oposto ou diferente da finitude, pois dessa forma o próprio infinito estaria determinado e limitado pela finitude, e seria finito ele mesmo. Se o infinito não pode ser oposto à finitude, deve ser igual à ela. Como?? “Infinito” é o conjunto sem limites de todas as coisas finitas, ou seja, ‘infinito’ é sinônimo de ‘indeterminado’, e alguma coisa só se torna infinita ou indeterminada caso se determine de todas as formas possíveis, ad infinitum.
Se o infinito é indeterminado, então aquilo que é infinito é INDISTINTO de tudo mais.
Assim, se Deus é infinito, ele não pode ser onipresente. Pois aquilo que ‘está presente em todas as coisas’ é DIFERENTE das coisas nas quais está presente. ‘Presença’ é diferente de ‘indistinção’. Se alguma coisa está presente em outra, estas duas coisas são distintas, e apresentam uma RELAÇÃO, não a condição de ‘indistinção’.
Se Deus é infinito, ele não pode ser ‘onisciente’. Toda forma de consciência implica na distinção entre sujeito e objeto. Onde não há esta distinção, não há consciência. Entretanto, se Deus é infinito, não pode haver qualquer espécie de distinção entre Ele enquanto ‘sujeito’ e todas as coisas enquanto ‘objeto’; assim, Ele não pode ser ‘consciente de todas as coisas’.
Se Deus é infinito, ele não pode ser onipotente. O poder de fazer tudo significa o poder de transformar ou criar qualquer coisa. Entretanto, isto implica na distinção entre um sujeito criador ou transformador e um objeto criado ou transformado. Mas na definição de infinito não cabe qualquer distinção deste tipo.
LOGO, se Deus é infinito, ele não pode ser nem onipotente, nem onipresente, nem onisciente. Por sua vez, se Deus não for infinito, ele não pode ser nem o fundamento e nem o criador de nada, e, assim, não pode ser onipotente, pois não teria poderes ilimitados d ecriação e transformação. Além do mais, se Deus não é infinito ele pode ser dotado de consciência, mas não da consciência de todas as coisas, já que a consciência de todas as coisas seria exatamente a consciência do INFINITO, que é INDETERMINADA e que, portanto, não é consciência alguma. Assim, Deus não pode ser onisciente. O mesmo raciocínio vale para a onipresença: se Deus estivesse presente em TODAS as coisas, ele seria, na verdade, infinito. A distinção entre Deus e as coisas nas quais ele está presente implica no fato de que há instâncias destas coisas nas quais Deus não está presente.
Conclusão:
Se Deus é infinito, ele não pode ser o criador do mundo, não pode ser o fundamento de todas as coisas, não pode ser onisciente, onipotente e onipresente e, por outro lado, se Deus é finito ele também não pode ser o criador do mundo, não pode ser o fundamento de todas as coisas, não pode ser onisciente, onipotente e onipresente!!! O conceito de Deus é INSUSTENTÁVEL, por qualquer meio pelo qual se tente analisa-lo.
Observações:
Este é um estudo filosófico, dentro da mais conscienciosa lógica da filosofia ocidental. Assim, é bem provável que sua linguagem seja incompreensível para quem não tem uma grande familiaridade com a Filosofia. Entretanto, eu sugiro VEEMENTEMENTE que todo aquele que quiser expor opinião contrária se prenda nas premissas e tente REFUTÁ-LAS. Defesas clamorosas, piegas, sentimentalistas ou dogmáticas da existência de Deus devem ser evitadas.
Daniel Grandinetti
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Modéstia, demonstrada à maneira dos lógicos.
A modéstia consiste na ausência de sentimentos de superioridade por realizações próprias.
Modesto é todo aquele que pratica a modéstia.
Segundo o senso popular, a modéstia é uma virtude.
Virtude representa um grupo de características de espírito superiores, pelas quais o indivíduo demonstra maior valor moral.
Elementos:
m = modéstia;
A = um indivíduo modesto qualquer;
B = um indivíduo qualquer diferente de A;
V = conjunto das virtudes;
p¹ = proposição 1;
Assumo os símbolos para comparação de grandezas quantitativas (">" e "<") como comparações qualitativas. Dessa maneira, em vez de maior ou menor, leia-se melhor ou pior.
Demonstração:
p¹ = A>B
m → ~p¹
m → ~(A>B)
m∈V → A>B
m∈V → p¹
p¹ → ~m ⊢ m∈V → ~m (?!)
Conclui-se então que a modéstia é em si contraditória, meu povo. E assim, afirmando que é pior, prova o modesto a sua superioridade!
Pietro Borghi
Modesto é todo aquele que pratica a modéstia.
Segundo o senso popular, a modéstia é uma virtude.
Virtude representa um grupo de características de espírito superiores, pelas quais o indivíduo demonstra maior valor moral.
Elementos:
m = modéstia;
A = um indivíduo modesto qualquer;
B = um indivíduo qualquer diferente de A;
V = conjunto das virtudes;
p¹ = proposição 1;
Assumo os símbolos para comparação de grandezas quantitativas (">" e "<") como comparações qualitativas. Dessa maneira, em vez de maior ou menor, leia-se melhor ou pior.
Demonstração:
p¹ = A>B
m → ~p¹
m → ~(A>B)
m∈V → A>B
m∈V → p¹
p¹ → ~m ⊢ m∈V → ~m (?!)
Conclui-se então que a modéstia é em si contraditória, meu povo. E assim, afirmando que é pior, prova o modesto a sua superioridade!
Pietro Borghi
Rebeldia, demonstrada à maneira dos geômetras.
Demonstração A:
I. Por rebeldia, entendo todo ato social de negação a um estado de coisas na realidade societária. Rebelde, por sua vez, é todo aquele que pratica a rebeldia.
II. Sendo o status quo social reprovado pelo rebelde, infere ele que o mecanismo de julgamento dessa realidade societária sobre seus integrantes é falho, pois gera o próprio status quo contra o qual ele se rebela.
III. Sendo esse mecanismo falho, o julgamento dele resultante sobre o rebelde em questão provavelmente também é.
Corolário:
Segue-se então que qualquer fracasso pode não resultar de uma incapacidade do rebelde, mas do sistema. O rebelde seria uma vítima da inépcia do sistema em visualizar seu valor. Q.E.D.
Demonstração B:
I. Assumam-se as proposições I, II e III da demonstração A.
II. Se o julgamento sobre o rebelde provavelmente é falho, significa que há alguma possibilidade de que ele seja correto.
Corolário:
Segue-se que, no caso de êxito social do rebelde, esse conclui que prevaleceu graças a um julgamento correto do sistema, que reconheceu suas capacidades e de maneira justa o promoveu. Q.E.D.
Pronto! Agora, quando me perguntarem por que sou rebelde, tenho uma resposta puramente racional.
Pietro Borghi
I. Por rebeldia, entendo todo ato social de negação a um estado de coisas na realidade societária. Rebelde, por sua vez, é todo aquele que pratica a rebeldia.
II. Sendo o status quo social reprovado pelo rebelde, infere ele que o mecanismo de julgamento dessa realidade societária sobre seus integrantes é falho, pois gera o próprio status quo contra o qual ele se rebela.
III. Sendo esse mecanismo falho, o julgamento dele resultante sobre o rebelde em questão provavelmente também é.
Corolário:
Segue-se então que qualquer fracasso pode não resultar de uma incapacidade do rebelde, mas do sistema. O rebelde seria uma vítima da inépcia do sistema em visualizar seu valor. Q.E.D.
Demonstração B:
I. Assumam-se as proposições I, II e III da demonstração A.
II. Se o julgamento sobre o rebelde provavelmente é falho, significa que há alguma possibilidade de que ele seja correto.
Corolário:
Segue-se que, no caso de êxito social do rebelde, esse conclui que prevaleceu graças a um julgamento correto do sistema, que reconheceu suas capacidades e de maneira justa o promoveu. Q.E.D.
Pronto! Agora, quando me perguntarem por que sou rebelde, tenho uma resposta puramente racional.
Pietro Borghi
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Barbeador Psicológico
O homem observou. Observou as ruas, as pessoas nelas, suas feições, estilos, maneiras, trato. E viu homens soberbos de rostos limpos, pele nua de fios. E lembrou da revelação anterior: ali havia com certeza um bom barbeiro. Crendo nisso, foi o homem se informar. Perguntou aos de barba bem feita, quem era o responsável por elas. Quem? Decepcionou-se. Um mostrava-lhe um barbeador elétrico, outro um aparelho manual, espuma, navalha. Todos dispensavam barbeiros; eles não existiam. Faziam suas barbas com habilidade sua aqueles que as queriam bem feitas; e inventaram, por próprio engenho e perícia, ferramentas para isso.
Refletiu então novamente o homem. Teve que se conformar com a ideia de que ali, o que barbeava o homem era criação dele mesmo. Que ferramentas eram só ferramentas, artefatos, feitos, pensados e materializados pelo homem; e alguns somente pensados. Somente pensados.
Pietro Borghi
Refletiu então novamente o homem. Teve que se conformar com a ideia de que ali, o que barbeava o homem era criação dele mesmo. Que ferramentas eram só ferramentas, artefatos, feitos, pensados e materializados pelo homem; e alguns somente pensados. Somente pensados.
Pietro Borghi
sábado, 18 de dezembro de 2010
Don't faint!
To avoid guilt for improductivity, I'll post something here. Not my work, but interesting nonetheless.
http://www.ted.com/talks/lang/eng/ken_robinson_says_schools_kill_creativity.html
http://www.ted.com/talks/lang/eng/sir_ken_robinson_bring_on_the_revolution.html
http://www.ted.com/talks/sugata_mitra_the_child_driven_education.html
Posted! Educate yourselves about education, people.
Pietro Borghi
http://www.ted.com/talks/lang/eng/ken_robinson_says_schools_kill_creativity.html
http://www.ted.com/talks/lang/eng/sir_ken_robinson_bring_on_the_revolution.html
http://www.ted.com/talks/sugata_mitra_the_child_driven_education.html
Posted! Educate yourselves about education, people.
Pietro Borghi
segunda-feira, 22 de novembro de 2010
Comiserai-vos dos pobres burgueses!
Ganhei de presente este e-mail — solstício de verão adiantado. Logo depois há um leve comentário.
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KIT DO BRASILEIRO
*Vai transar?*
O governo dá camisinha.
*Vai transar?*
O governo dá camisinha.
*Já transou?*
O governo dá a pílula do dia seguinte.
O governo dá a pílula do dia seguinte.
*Teve filho?*
O governo dá o Bolsa Família..
*Tá desempregado?*
O governo dá Bolsa Desemprego.
*Vai prestar vestibular?*
O governo dá o Bolsa Cota.
*Não tem terra?*
O governo dá o Bolsa Invasão e ainda te aposenta.
O governo dá o Bolsa Família..
*Tá desempregado?*
O governo dá Bolsa Desemprego.
*Vai prestar vestibular?*
O governo dá o Bolsa Cota.
*Não tem terra?*
O governo dá o Bolsa Invasão e ainda te aposenta.
*RESOLVEU VIRAR BANDIDO E FOI PRESO?*
a partir de 1º/1/2010 O GOVERNO DÁ O AUXÍLIO RECLUSÃO?
*esse é novo*
Todo presidiário com filhos tem direito a uma bolsa que, é de R$798,30 "por filho" para sustentar a família, já que ocoitadinho não pode trabalhar para sustentar os filhos por estar preso.
Não acredita?
Confira no site da Previdência Social.
Portaria nº 48, de 12/2/2009, do INSS
(http://www.previdenciasocial.gov.br/conteudoDinamico.php?id=22)
*Mas experimenta estudar e andar na linha pra ver o que é que te acontece!*
*esse é novo*
Todo presidiário com filhos tem direito a uma bolsa que, é de R$798,30 "por filho" para sustentar a família, já que ocoitadinho não pode trabalhar para sustentar os filhos por estar preso.
Não acredita?
Confira no site da Previdência Social.
Portaria nº 48, de 12/2/2009, do INSS
(http://www.previdenciasocial.gov.br/conteudoDinamico.php?id=22)
*Mas experimenta estudar e andar na linha pra ver o que é que te acontece!*
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Governo assistencialista, né não? Pois claramente é um crime manter vagabundos ganhando o Bolsa-Família, em vez de lhes entregar ao vampirismo dos empresários. Nada de Bolsa-Esmola; o correto é o Salário-Esmola. Apertem os parafusos da TV que vale quatro salários seus; instalem a pastilha de freio do carro que jamais terão; cortem a cana que locomove os seus exploradores. Isso sim é justiça! (ou seria, não fosse o desemprego condição necessária para o exercício do poder oligárquico).
Pois e os sem-terra, corja baderneira e ilegal? Companheirada do governo! Acham que ninguém vê na televisão e nas revistas as depredações desses camponeses que pensam ter direito a meios de subsistência? Pois está sempre lá, coleguinhas, no Jornal Nacional, na Veja, no papelote (sacaram?) da família Frias — essa tão “frias” que me dá calafrios — e nas outras “miguxas midiáticas”.
A meritocracia, como tão despreparadamente acusam os detratores do capitalismo, não ocorre neste fofo sisteminha. Afinal, quem já nasce cheio de oportunidades não faz mais que a obrigação de prevalecer. Na piscina da sociedade plutocrática, uns nadam vestindo LZR Racer e outros vestindo roupas de palhaço. E nesse caso, caro burguês, o palhaço não é você.
domingo, 14 de novembro de 2010
Errata. Ou não.
Descobri que inverti os papéis na estorinha anterior. Aqui está a original: http://cljparoquiasaojose.blogspot.com/2010/07/o-barbeiro-e-deus_18.html.
Parece até que eu manipulei para privilegiar o meu ponto de vista. Parece? Isso não altera a moral da história, que ressalta o benefício de bondade infinita a todos aqueles que crêem no todo-poderoso. E isso acontece? Olhe para todos que acreditam no Senhor. Olhe para o percentual de crentes encarcerados. Olhe para o número de doentes que morrem não obstante a persistência na fé. Podem argumentar que lhes faltou uma colherada, mas só me contento quando inventarem um "pistisômetro" (precisei do neologismo agora; πίστης, pistis, significa fé em grego). E mesmo assim, fé em alguma coisa não prova a existência dela. Acreditar em unicórnios os torna mais prováveis?
Na prática, Deus é um barbeiro à la Sweeney Todd, cortando a garganta dos infelizes. Basta lembrar das ordens supremas que Josué recebeu: degola sem hesitação. Com a ressalva do cardápio, pois o Senhor não serve torta. Só churrasco.
Pietro Borghi
Parece até que eu manipulei para privilegiar o meu ponto de vista. Parece? Isso não altera a moral da história, que ressalta o benefício de bondade infinita a todos aqueles que crêem no todo-poderoso. E isso acontece? Olhe para todos que acreditam no Senhor. Olhe para o percentual de crentes encarcerados. Olhe para o número de doentes que morrem não obstante a persistência na fé. Podem argumentar que lhes faltou uma colherada, mas só me contento quando inventarem um "pistisômetro" (precisei do neologismo agora; πίστης, pistis, significa fé em grego). E mesmo assim, fé em alguma coisa não prova a existência dela. Acreditar em unicórnios os torna mais prováveis?
Na prática, Deus é um barbeiro à la Sweeney Todd, cortando a garganta dos infelizes. Basta lembrar das ordens supremas que Josué recebeu: degola sem hesitação. Com a ressalva do cardápio, pois o Senhor não serve torta. Só churrasco.
Pietro Borghi
sábado, 13 de novembro de 2010
Deus, o Barbeiro
Um homem (nessa parábola, o homem) foi ao barbeiro, requisitar o serviço óbvio. Como é comum nessas situações — nunca fui mas deve ser uma espécie de cabeleireiro heterossexual —, o homem e o profissional começam um diálogo profundo sobre o pênalti não marcado, o imbecil que fechou no trânsito (evitando o xingamento comum, é claro) e cada par de pernas femininas à vista. Com extrema leviandade, o homem levanta a questão: Deus existe? O educadíssimo barbeiro responde que deve existir, e que ele é supremamente bom, criador de todas as coisas, onipotente, onisciente, onipresente, onimaníaco, onívoro, oni, oni... qualifica o barbudo celeste ad nauseam.
— Olhe só pela janela. Vê que nas ruas há muitas pessoas com a barba mal-cuidada e desalinhada? Ainda assim estou aqui, e quem vier terá seu semblante tratado e asseado com os meus serviços. Não posso buscá-los todos, trazê-los e forçá-los a me aceitar.
O homem discorda de pronto, contestando como um deus tão bom poderia ter como obra a cruel e imperfeita realidade. O barbeiro, ainda educado, diz que as pessoas têm seu livre arbítrio para escolher encontrá-lo e se banhar na sua luz. Que depende tão-somente de cada pessoa obedecer sinhozinho Deus para ser feliz. E exemplifica com a sua profissão, afinal:
— Olhe só pela janela. Vê que nas ruas há muitas pessoas com a barba mal-cuidada e desalinhada? Ainda assim estou aqui, e quem vier terá seu semblante tratado e asseado com os meus serviços. Não posso buscá-los todos, trazê-los e forçá-los a me aceitar.
Assim se convence o homem de que Deus, se existe, tem razão em ficar parado num templo esperando a clientela, apesar da onipresença; em exigir orações e confissões, apesar da onisciência; em permitir o mal enquanto prefere o bem, apesar da onipotência.
Ouvi eu essa parábola, e ficou evidente que o barbeiro era Deus disfarçado, espalhando sua sabedoria sorrateiramente. Procurando um pouco mais fundo, fui saber o resultado do serviço divino no rosto do simpático personagem.
É isso que vemos. É isso que está do outro lado da janela, seja um santo ou um demônio. Não há distinção entre ímpios e crentes no grupo dos desgraçados. Não há ajuda ou castigo para quem acredita mais ou menos.
Por isso, eu mesmo faço a minha barba.
Pietro Borghi
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
God
"Strange, indeed, that you should not have suspected that your universe and its contents were only dreams, visions, fiction! Strange, because they are so frankly and hysterically insane - like all dreams: a God who could make good children as easily as bad, yet preferred to make bad ones; who could have made every one of them happy, yet never made a single happy one; who made them prize their bitter life, yet stingily cut it short; who gave his angels eternal happiness unearned, yet required his other children to earn it; who gave his angels painless lives, yet cursed his other children with biting miseries and maladies of mind and body; who mouths justice and invented hell - mouths mercy and invented hell - mouths Golden Rules, and forgiveness multiplied by seventy times seven, and invented hell; who mouths morals to other people and has none himself; who frowns upon crimes, yet commits them all; who created man without invitation, then tries to shuffle the responsibility for man's acts upon man, instead of honorably placing it where it belongs, upon himself; and finally, with altogether divine obtuseness, invites this poor, abused slave to worship him!"
Mark Twain
Mark Twain
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